todos os fatos, novidades e destemperamentos que eu queria comentar com mais de 5 pessoas mas tive preguiça de ligar.

25.6.09

décimo, por favor


Quem trabalha em prédio alto com elevador sabe das maravilhas que essa caixa é capaz de fazer com a natureza humana. Um desses elevadores com capacidade pra 15 pessoas e 12 andares, lotado, com o ar-condicionado quebrado e uma televisão acesa.

- Da espera: todos fazem contas mentais de quantos caberão na máquina que já demora 3 minutos sem aparecer, e cronometram quanto demorará o próximo vagão. Alocam seu peso em uma das pernas e deixam o pé de ataque livre para agir. Olham pros concorrentes ao redor fingindo que nada se passa e às vezes acontece o balanço de cabeça/sorriso significando um amistoso "bom dia, mas fica esperto".
Pensamento: quando eu for atleta, começo a ir de escada.

- Da entrada: isso de preferência pra mulheres não existe desde que o elevador foi inventado. Todos se acotovelam gentilmente e fingem ceder a passagem pra alguém. É corrente não deixar quem está dentro sair antes dos que estão fora entrar, formando 2 barreiras humanas. Mas acho que isso é costume regional de brasília, cidade que não tem metrô.
Pensamento: "Por que essa galera do 1o andar não foi de escada?"

- Da estada: 12 andares pode durar vários minutos. A televisão roda assuntos aleatórios: valor de passe de jogador de futebol, taxa de câmbio, promoção da volks e o último número da gripe do porco. Tem gente que usa perfume demais, tem gente que cheira a cigarro ruim recém fumado e tem gente com cheiro de suvaco.
Pensamento: “Se eu prender o ar vai alterar minha percepção cronológica. E olfativa”

- Do assunto: Graças a deus o tempo curto não deixa os assuntos se desenvolverem. Invariavelmente ouve-se uma das seguintes frases:
“Calor hein? Acho que o ventilador não ta funcionando.”
“Tá frio, tempo doido.”
“Engarrafamento brabo.”
“Peraí que o celular não ta pegando, a claro é foda”
“Podia já ser 6 horas”
“Ai, segunda feira....”
“Cara, já é sexta.”
“Se cair, do chão não passa”
“Sabe que a minha tia operou e o cunhado dela saiu da clínica e era rinite.. e.. e.. e...” Tem gente que não interrompe o assunto, seja lá com quantos esteja dividindo espaço. Me divirto com essas.
Pensamento: evita-se pensar.

- Da descida: Esperar o elevador no último andar pra descer e ele chegar lotado é das coisas mais absurdas que acontecem às 18. Na minha imaginação infantil, o elevador vem de cima, lá da cobertura, e como não tem ninguém lá, era pra chegar vazio. Bom, entra-se. Em cada parada uma pessoa pensa a mesma coisa que eu, e entra também. Não existe isso de “não caber mais”, sempre cabe mais um, ou dois. SEMPRE penso naquele joguinho dos bonecos de espuma que não cabem no prédio e explodem.
Pensamento: “Por que esses amáveis do 1º andar não vão de escada?”

15.6.09

equador


Respeitar as metades e as linhas.
Entendi porque a passagem de pessoas de um hemísfério pro outro da terra altera completamente o conjunto biopsicosocial. Do mesmo jeito que as águas que descem na privada e na pia mudam o sentido do rodopio de uma metade para outra, todos os líquidos do corpo também o fazem, causando um revertério orgânico complexo. Não sei exatamente que hora isso acontece, mas desconfio que quem mora ali nas proximidades do equador, além de conviver com o calor latitude zero, deve ter outro modelo de circulação pra dar suporte pra essas coisas de rotação e aceleração do planeta, fluidos e correntes.

O que importa é que eu acordei às 6, meu relógio marcava 11, tentei pagar o ônibus com eurocents, desci na parada errada, meu trident ainda é do sabor "rainforest mint senses" e ainda não tive coragem de olhar minha página do banco do brasil. É.. as voltas são difíceis.

Para arejar as idéias, milhões de façam vocês mesmos. De bolo de chocolate a bolsa de banner.

2.6.09

O celular acordou mal, sem bateria e me pedindo pra trocar o chipe. Claro que não foi com essa clareza, ele disse "mudar SIM - falha no registro". Não entendi e liguei pra vivo. De outro telefone, porque o meu tá "só emergência". E isso É uma emergência, em breve descubro pra quem eu informo isso.

Pois bem. Passo 1.
Telefonar pra vivo é quase tão desagradável quanto pegar engarrafamento, tipo um engarrafamento que a gente tivesse que ficar verbalizando algo com alguém que não tá querendo te entender. Liguei, relatei o ocorrido pra 5 pessoas, confirmei meu cpf, nome e endereço 3 vezes, expliquei que "asa norte" é um bairro, recebi 2 protocolos e uma sugestão de ir à loja vivo mais próxima. Se eu quero atribuir nota pro serviço? Melhor não.

Passo 2: a loja.
Os dois moços da recepção cumpriram o ritual de tirar o chipe velho, soprar, encaixar de novo, trocar com o chipe do aparelho deles. "É, não deu".
A atendente sentada do computador também fez o mesmo procedimento modelo. Passamos para a entrevista padrão-hospital "desde quando ele tá assim?". Batucou no computador. Nada. Ligou pra alguém. Nada. Trocou por outro aparelho. Nada.
No auge dos 45 minutos de emoções, ela me entrega o celular dela pra eu falar com o vivofone online dela. Eram 17:30 e todos os atendentes já tavam naquele clima de fim de expediente, lendo as notícias do avião da air france. Decerto minha expressão facial acompanhada de um "HÃ?!" foram bem colocados, ela recolheu o braço e colocou o vivofone de volta no ouvido dela.

O que passa é que é caso muito raro, nome que eles dão pra quando ninguém sabe resolver. Requer acompanhamento técnico. Me pediram 24 horas pra analisar a situação.

"Então tá, tchau, obrigada"
"A vivo agradece sua paciência e até amanhã!"
....

27.5.09

órgãos e seus caprichos

depois de n camarões empanados com catupiri e alguns goles de coca, concluí que certos agrados ao paladar não compensam o desagrado do estômago. pra compensar tentei afagar o interior com chá verde, que a minha boca não gosta muito. isso de ouvir o que o corpo fala dá trabalho. não deu pra agradar todo mundo: o gosto de catupiri ficou amargo pelo chá e ainda estufada de fritura, tomei um digestivo, bochechei um cepacol de menta e fomos todos dormir.

20.5.09

Eu gostava muito de quando a internet era burra e não entendia o que a gente fazia. Ou parecia não entender. Ou passou anos fingindo e armazenando informações enquanto a gente passeava frenéticamente em todas as novidades internêuticas.
Pois bem, essa era passou. Agora é tudo rastreado, uma irritação.

O gmail tem uma mania horrorosa de associar propagandas e links ao que a gente escreve nos e-mails. Aí o que acontece é você comentar pra um amigo seu alguma coisa sobre um curso de francês que você tá fazendo e passar o mês olhando links de agências de viagem pra frança e propagandas de cursos de francês online.

O submarino diz que "você também vai gostar de ..." e dá uma lista das últimas coisas que eu entrei. Se você comprou esse livro de alimentação provavelmente também vai querer comprar uma balança, ou uma iogurteira. Hã? Pior é que às vezes eu gosto. Tá tudo tão previsível assim?

Visitas em sites/blogs: os donos e o mundo sabem que vc visitou, que hora, quantos comentários leu, quantos minutos gastou tentando entender cada coisa. Estratégia desses infernos de contas de megaportais, que te dão um e-mail, um orkut, um blog, um mapa, um desconto. Tô aguardando meu celular grátis.

E a audácia do google, que troca aquele texto com figurinha toda semana pra parecer mais amigável, e depois te corrige. TE CORRIGE! "Você não quis dizer...?". Em itálico mesmo pra parecer mais polido. Não, eu não quis dizer nada disso, procure a ignorância que eu digitei, sim?

Muita falta de respeito.
Tô esperando o dia da extinção dos panfletos de pizza de 9,90, em troca de uns papéis do que eu penso em comprar mês que vem. E começar a ouvir uns jingles no mp3? E as teclas baterem sem meus dedos batucarem? Uau.. aí quero ver.

15.5.09

Sobre o palavreado

O proibido é muito mais interessante.

Assim acontece com aquela seleção de palavras que passamos 15 anos sendo doutrinados para não usar, e que no fim acabam sendo a melhor forma de pontuar e qualificar a maioria das coisas do cotidiano. Todas as situações estressantes, pessoas insuportáveis e mazelas do dia a dia são muito mais aceitáveis se vierem acompanhadas de uma palavra de baixo calão. Recomendo seu uso como uma espécie de terapia. Experimente trocar "ó, que pena" por "puta que pariu". "Foi muito legal" por "foi do caralho" e "não gostei de sua atitude" por "vai se fuder no inferno seu puto".

Sem mencionar a versatilidade de tal classe gramatical, passam de numeral a verbo, adjetivando e adverbializando tudo. Reciclam a língua e aproximam a elite do povão; o patrão e o empregado não economizam os "cacetes" numa discussão acalorada. E a patroa não hesita em citar que "eu acabo com tua vida sua vaca" quando a empregada vem comentar que "te boto na justiça sua cachorra".

Acho lindo. Desopila o fígado.

12.5.09

jogue seu lixo na sala - "Como não pensei nisso antes?"

papel de cocô de elfante
Quem diria. O elefante come toneladas de plantas e seu cocô é um amontoado de fibras... o bicho praticamente caga papel reciclado, só precisa dar aquela maquiada. O fabricante garante que não tem cheiro.






mesinha de lista telefônica
Nada de diseño escandinavo, isso é criação de brasileiro. Lembrei daquelas lanternas de japa das festas juninas, trabalhoso e lindo.



me dá danoninho! Uma luminária. Juntar esses potinhos pra fazer outra coisa que não chocalho de arroz pros meninos pequenos ficarem ritmados.




prédio de pias de Sink city.